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Construção sustentável: o que é e suas vantagens

Atualizado: Abr 6

Qual a primeira coisa que vem à sua mente ao ouvir o termo “construção sustentável”? Se você pensa em prédios com os enormes jardins verticais ou que utilizam painéis solares, saiba que eles podem não ser o melhor exemplo desses edifícios.


As construções sustentáveis vêm ganhando cada vez mais espaço principalmente nas grandes metrópoles, com o aumento da preocupação em preservar o meio ambiente.


Para garantir esses ideais, diversos projetos têm sido construídos visando todo um conceito de promoção e incentivo da sustentabilidade, se preocupando desde em escolher os materiais menos agressivos ao meio ambiente até em como garantir uma melhor qualidade de vida aos moradores.

Para os inquilinos, viver em edifícios construídos de maneira sustentável também traz diversas vantagens em seu dia a dia, não somente em suas saúdes, mas inclusive no âmbito financeiro. Ficou curioso para saber mais?


Neste texto, explicaremos o que caracteriza uma construção sustentável, a importância desses edifícios atualmente, e os benefícios que proporciona. Confira os tópicos que serão abordados:


● O que é construção sustentável?

● Quais os princípios básicos das construções sustentáveis?

● Qual a importância das construções sustentáveis?

● 5 exemplos de construções sustentáveis.


Vamos começar!


O que é construção sustentável?

A construção sustentável representa o resultado de todo um processo de construção de casas e edifícios focados na harmonização com o meio ambiente.


Na prática, esses edifícios se preocupam em amenizar o impacto ao meio ambiente em todos os processos que envolvem desde sua construção até a pós-construção, por meio de ações como a adoção de materiais mais ecológicos, diminuir a quantidade de resíduos e como utilizar fontes naturais (como água e luz solar) à favor de seu funcionamento.




Segundo o Belgian Building Research Institute (CSTC), a construção sustentável pode ser descrita como a busca por edifícios que proporcionem um equilíbrio entre três pilares:


Perspectiva ambiental: se preocupar com a preservação do meio ambiente e seus recursos naturais, uma vez que o setor da construção é responsável por cerca de 50% do consumo mundial de matérias-primas, e por 42% do consumo total de energia proveniente do aquecimento e da iluminação dos edifícios;

Perspectiva social: se preocupar em garantir uma boa qualidade de vida aos inquilinos por meio da qualidade do ar, conforto térmico e conforto acústico, por exemplo, já que em média, uma pessoa passa 90% do seu tempo dentro de edifícios;

Perspectiva econômica: se preocupar em construir um projeto que seja economicamente viável - afinal, todo edifício possui gastos rotineiros e riscos que podem danificá-lo, o que torna imprescindível manter a mente aberta para possibilidades de inovação que que permitam sua conservação e renovação com ações que gerem o menor impacto possível ao meio ambiente e à saúde dos moradores.


Como surgiu a construção sustentável?


Por mais que as construções sustentáveis tenham ganhado força nos últimos anos, essa ideia já existe há mais de 40 anos.


A ideia de edifícios que foquem na sustentabilidade surgiu na década de 70 após a Crise do Petróleo, quando as indústrias petrolíferas decidiram aumentar o preço deste recurso natural após terem descoberto que ele não era renovável.


Em resposta a esse aumento de preço pelos principais produtores de petróleo, alguns arquitetos começaram a pensar em formas alternativas de se utilizar a energia e os recursos naturais para driblar a crise, de forma que conseguissem continuar a projetar edifícios.


Essa ideia ganhou tanta popularidade que, mesmo após o fim desse período conturbado, continuou sendo pensada e colocada em prática. A partir dos anos 90, o conceito de sustentabilidade e a procura por alternativas sustentáveis na construção civil ganhou mais força junto aos órgãos internacionais e se intensificando em diversos países.


Atualmente, a USGBC (United States Green Building Council) é a grande empresa responsável por transformar a indústria da construção civil por meio de práticas sustentáveis.


Para isso, desenvolveu o mais famoso selo de construção sustentável do mundo: o LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental). Ela nada mais é do que um sistema de certificação e orientação ambiental voltada para edifícios, que analisa uma série de critérios pré-estabelecidos para determinar se o edifício contribui de fato para o meio ambiente.

Dentro desse ranking, o Brasil ocupa o 4º lugar entre os que mais produzem prédios verdes no mundo, atrás apenas de EUA, China e Emirados Árabes - o que representa uma grande conquista se pensarmos que esses ideais somente começaram a ser adotados no país em 2006.


Em nosso blog, temos um artigo completo sobre este selo, sua importância e como conquistá-lo. Clique no link a seguir e veja: Certificação LEED: saiba o que é e sua importância!

Além dele, outra certificação de sustentabilidade muito importante é a EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies). Administrada em mais de 120 países pela International Finance Corporation (IFC), visa otimizar a eficiência em recursos do projeto com base nas metas de sustentabilidade estabelecidas na Cúpula de Paris.


As regras para a conquista deste certificado são um pouco diferentes da LEED. Ele se baseia em um sistema online que contém informações sobre o consumo de água e energia das construções típicas de cada região. Dessa forma, a certificação é obtida pelos empreendimentos capazes de reduzir em, pelo menos, 20% o uso de água, eletricidade, e energia utilizada na fabricação dos materiais empregados no projeto.


Agora que sabemos o conceito de uma construção sustentável, vamos entender melhor as características que esses edifícios devem conter para receberem essa classificação.


Quais os princípios básicos da construção sustentável?


Além dos três pilares que mencionamos acima, as construções sustentáveis se baseiam em cinco princípios fundamentais que norteiam a construção dos edifícios e, consequentemente, são avaliadas caso queiram conquistar a certificação LEED.


São elas: inteligência dos projetos; escolha dos materiais; eficiência energética; consumo sustentável da água e diminuição da quantidade de resíduos. Vamos ver em detalhes cada uma delas.


1. Projetos devem ser inteligentes na construção sustentável



Os edifícios sustentáveis são pensados de forma inteligente, para que possam utilizar e aproveitar os recursos naturais ao máximo, de forma que gerem o menor impacto possível ao meio ambiente e contribuam para um modelo de construção mais sustentável.


Para isso, os engenheiros e arquitetos devem analisar e levar em conta características como as condições naturais do terreno, o clima local, a topografia, a vegetação existente, a luminosidade e a ventilação.


2. Escolha dos materiais voltada pela racionalidade

Com a ideologia acima em mente, o segundo passo é prezar pela escolha de materiais voltada pela racionalidade.

Em outras palavras, isso significa que o edifício deve priorizar o uso de materiais ecológicos e a sua correta utilização. Uma ótima forma de isso é se fazendo alguns questionamentos, como por exemplo:


- A matéria-prima é reciclada e renovável?

- O processo produtivo apresenta baixo consumo de água e de energia?

- O produto é poluente?

- A instalação gera resíduos?

- A embalagem é reciclável?

- O produto apresenta alguma certificação?


3. Eficiência energética na construção sustentável



Os materiais escolhidos para a construção do edifício devem ser capazes de permitir que eles funcionem e operem de modo econômico em relação à energia.


A utilização de energia solar para o aquecimento da água, a utilização de sistemas fotovoltaicos para a geração de eletricidade, a opção por eletrodomésticos de baixo consumo e lâmpadas econômicas são alguns dos exemplos mais comuns - e mais eficazes - aplicados em diversos edifícios sustentáveis.


4. Consumo sustentável da água




Além de prezar pelo uso eficiente de energia, o consumo de água pelo edifício também deve ser orientado para a sustentabilidade.


Existem diversas estratégias que por mais simples que pareçam, fazem toda a diferença para o saldo final de consumo de água. Podemos citar exemplos como: utilização de descarga de acionamento duplo e de torneira temporizada, captação de água da chuva para utilização não potável, e a adequação para aproveitamento de água da máquina de lavar.


5. Diminuição dos resíduos na construção sustentável


Por fim, todas as ações anteriores - e muitas outras - devem resultar em um princípio fundamental: na diminuição da geração dos resíduos de todo edifício e, em conjunto, com a segregação possível para fins de reciclagem.


Dessa forma, além de pensar em todo um modo de construção que use recursos sustentáveis que garantam a eficiência e qualidade de vida dos inquilinos, todos esses materiais serão reciclados e levados a destinos ideais, de forma que não agridam o meio ambiente.


Construir um edifício sustentável não é uma tarefa fácil, não é mesmo? Mas uma coisa é certa: todo esse esforço vale a pena! Construções sustentáveis trazem diversas vantagens, que vamos ver em detalhes no próximo tópico.


Qual a importância da construção sustentável?


A construção civil é um dos setores que mais consomem energia elétrica, água e demais recursos naturais - e consequentemente - um dos que causa maiores impactos no meio ambiente. Somente ele é responsável pelo consumo de 20% a 50% de todos os recursos naturais consumidos pela sociedade, segundo o Sistema Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).


Em meio à essa relação desarmoniosa, os edifícios sustentáveis representam uma grande inovação mundial, uma vez que contribuem para a construção de projetos com menores impactos ambientais por meio de materiais e recursos mais ecológicos.


Dentre suas vantagens, as principais são:


● Melhor gestão e controle de desperdício;

● Otimização da utilização dos recursos materiais;

● Menor emissão de CO2;

● Maior valorização dos empreendimentos;

● Redução dos custos de pós-obra.



Para os inquilinos, além de morar em um edifício que contribua para o meio ambiente, o principal benefício encontrado está em uma grande economia. Afinal, essas construções prezam pela economia de recursos como água e energia - o que impacta diretamente no bolso dos moradores.


Ao longo dos anos, edifícios que contam com sistemas inteligentes de energia e água chegam a economizar 65% nas contas. Na prática, isso fará com que os inquilinos gastem menos com esses valores mensalmente, além é claro de terem uma maior qualidade de vida ao poder interagir com espaços verdes e ecológicos do condomínio.


Pode parecer algo distante da nossa realidade, mas não se engane: existem diversos edifícios sustentáveis que já se tornaram referência no setor pelo seu alto desempenho e eficiência por reduzir significativamente os impactos ao meio ambiente e ter uma grande contribuição com um estilo de vida mais sustentável.


Vamos conhecer alguns desses maiores exemplos a seguir.


6 exemplos de construção sustentável

Não há dúvidas de que as construções sustentáveis são a grande tendência para o futuro do setor. Somente no Brasil, são mais de 1.450 projetos registrados e avaliados segundo dados da GBC, e para os próximos anos, esse número tende a aumentar cada vez mais.


Em entrevista à Gazeta do Povo, o diretor técnico de Energias Renováveis da Petinelli Soluções em Green Buildings, Rafael Ribeiro Sabetzki, o futuro do setor estará marcado pela construção de edifícios autossuficientes, que geram e se responsabilizam por tudo aquilo que consomem: energia, água, resíduos e carbono.


“Autossuficiência não é simplesmente instalar painéis fotovoltaicos, é ter uma altíssima eficiência energética para reduzir o consumo, somado à própria geração de energia renovável com o que for necessário”, explica.


Nada deixará mais claro essa teoria do que ver os maiores exemplos de construções sustentáveis pelo mundo. Confira uma seleção especial que fizemos:


1. Eldorado Business Tower - São Paulo


Para começar nossa lista com chave de ouro, trouxemos um famoso edifício sustentável em São Paulo: o Eldorado Business Tower!


O motivo para estar em primeiro lugar é simples: ele é o primeiro prédio da América Latina a receber o LEED® C&S - Platinum, o mais alto nível de certificação do USGBC. O edifício foi inteiramente construído com sistemas inteligentes de aproveitamento de água, economia de energia, coleta seletiva e redução da vazão da água utilizada.


2. Lunaria – Colombia

A comunidade de apartamentos Lunaria, na Colombia, foi inteiramente construída com foco na redução do consumo de água e energia.


Por mais simples que os apartamentos possam parecer, todas a unidades são altamente eficientes e ecológicas por meio de estratégias como uso da iluminação natural no controle de uso de energia, ventilação natural, e tubulações que controlam a pressão d’água para diminuir seu gasto.


3. Kuggen - Gotemburgo, Suécia

Considerado como uma das mais belas atrações turísticas de Gotemburgo, o Kuggen possui uma arquitetura incrível projetada pelo famoso escritório de arquitetura Wingårdh Arkitektkontor.


Inaugurado em 2011, seu exterior é inteiramente coberto por janelas triangulares que oferecem eficiência energética ao privilegiar a entrada de luz natural durante todo o dia. Além disso, possui um sistema de ventilação e iluminação ativados por movimento, aquecimento e refrigeração interativos.


Em conjunto, essas estratégias proporcionam um ganho enorme no controle de consumo do edifício, uma vez que permitem o uso da energia apenas quando é realmente necessário.


Tudo isso só foi proporcionado graças ao seu trabalho arquitetônico incrível: a mistura de suas cores baseadas no degradê com seu formato circular inspirado no Renascimento Italiano, onde cada andar foi construído um pouco fora do centro para o sul para fornecer sombra ao andar debaixo - além de ter uma longa escadaria em espiral responsável pela principal rota de circulação no edifício.


4. Bank of America - Nova York, Estados Unidos

O Bank of America possui uma das arquiteturas mais eficientes do mundo. Considerado como um dos edifícios mais altos da cidade (366m), todas as matérias-primas utilizadas em sua construção são inteiramente vindas de fontes recicláveis e renováveis.


Como principal vantagem dessa escolha, todo ar que entra no local é filtrado, tornando o ar que sai do edifício o mais limpo possível. Isso garante uma ótima qualidade de ar e ventilação para todos que transitam por lá.


Além disso, seu exterior construído inteiramente com vidro permite uma alta eficiência e compensação energética, ao priorizar o uso de luz natural e isolamento de temperatura interna através da energia fotovoltaica.


5. Ospedale dell’Angelo - Veneto, Itália

Projetado em 2008, o Ospedale dell’Angelo é o primeiro hospital verde do mundo.


Seu grande segredo de sustentabilidade está na proposta incrível de sua criação, pensando na melhora justa e recuperação plena do paciente. Para isso, o edifício foi construído em uma área rural da cidade de acordo com os princípios da humanização, onde todos os blocos do hospital são interligados por jardins, proporcionando vistas agradáveis e o sentimento de tranquilidade.


Para garantir essa eficiência, o edifício é protegido pela cobertura de vidros, que funciona como uma verdadeira estufa trazendo luz natural e renovando o ar interno. Além disso, os quartos possuem janelas que dão vista para a vegetação e campos ao redor, e seu estacionamento foi projetado no subsolo de modo que não perturbasse essa bela paisagem.


6. Masdar - Abu Dhabi, Emirados Árabes


Por fim, o último caso que vamos citar não é um edifício único, mas sim um conjunto de construções localizado na cidade de Masdar, em Abu Dhabi.


A região criou um projeto de desenvolvimento urbano aplicado em toda cidade com a proposta de incentivar o urbanismo verde, com o objetivo de proporcionar o mais elevado nível de qualidade de vida aos seus moradores, gerando o menor impacto ambiental possível.


Em construção desde 2006, já conquistou grandes avanços: é 100% dependente de energias renováveis, produz zero resíduos, é livre de combustíveis fósseis, e ainda persegue a meta de atingir o índice zero de emissões de dióxido de carbono.


Tudo isso com um grande adicional: a cidade será adaptada para a locomoção a pé e para os ciclistas, dispensando o uso de automóveis que emitam gases prejudiciais ao meio ambiente. A previsão é que tudo esteja pronto até 2030.


Conclusão

Já imaginou como seria morar em um desses edifícios?


As construções sustentáveis são a grande aposta do setor para o futuro, e não há como negar todas as vantagens econômicas e para a qualidade de vida que proporcionam.


Para quem se interessa pelo assunto, também fizemos um texto com 10 dicas para viver e morar maneira sustentavel


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