Não sabe o que é LGBTQIA+ significa?  vem com a gente que te contamos direitinho o que cada letrinha significa.

Ser uma pessoa LGBTQIA+ no Brasil é uma tarefa bem difícil. Somos o país que mais mata essa comunidade, além de estarmos, na maioria das vezes, em situações de vulnerabilidade. Uma reportagem do G1 conta que mais pessoas negras LGBTQIA+ morrem, em comparação a pessoas brancas. As sobreposições de raça, classe, território, escolaridade são infinitas e vão se afinando, dependendo da letrinha.


Morar no centro é estar em constante contato com essa vulnerabilidade. Aqui perto de casa, por exemplo, tem muitas pessoas em situação de rua que, provavelmente, foram expulsas de casa por ser LGBTQIA+. Eu sou uma narrativa desviante, meus pais me acolheram quando saí do armário e hoje moro sozinha por opção, e não por necessidade.

Ao mesmo tempo, é aqui nesse território meio terra de ninguém, que podemos conhecer lutas, construções, movimentos LGBTQIA+ mais de pertinho, e se achegando nessa comunidade, ajudando quem precisa, conhecendo mais das trajetórias das pessoas.

Antes de trazer alguns pontos de referência LGBTQIA+, quero explicar o que LGBTQIA+ é  e o que representa cada letrinha dessa.


Homossexualidade (Lésbica e Gay)



Primeiro, vamos combinar aqui: nada de homossexualismo. O sufixo “ismo” são para movimentos, estados de espírito, como vegetarianismo, veganismos... Entendeu?

Bom, a partir disso, a homossexualidade é você sentir atração física e emocional por pessoas do mesmo gênero que o seu. Por que não falamos sexo? Isso vamos entender quando chegar no T, beleza?


Até 2008, era usada a sigla era GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes). O G era colocado em primeiro plano, uma vez que gay são homens que gostam de homens, e mesmo sendo um corpo que desvia do padrão, ainda existia muito machismo dentro da comunidade. Com o tempo, e com muitas lutas, o L foi passado para frente, e hoje conseguimos alargar a sigla, que até então era LGBT, ampliando as representatividades.


Trago aqui duas referências para você conhecer: Paulo Gustavo, artista e humorista, que morreu por COVID-19 este ano, e a Bia Ferreira, rapper e artista que milita pelas causas negras e LGBTQIA+.


Bissexualidade (B)



A galera não é confusa, já vamos tirar esse estereótipo, okay? A bissexualidade consiste em sentir atração afetiva e sexual pelos dois gêneros, ou seja, uma mulher que gosta de homem e mulher, um homem que gosta de homem e mulher.


Não tem como quantificar, ou achar uma porcentagem para o gostar. Muitas pessoas se perguntam “ah, mas você só ta namorando homem... tem certeza que é bi?” ou “se assume lésbica logo, você só fica com mulher”, isso porque nós estamos acostumados a viver num mundo absoluto, tudo preto e branco. É ou não é. Mas, a sexualidade é uma energia fluida no nosso corpo, e por isso não tem como medir o gostar e o desejar.

Essa binaridade está mais relacionada ao nome em si, na prática a bissexualidade se aproxima muito com a pansexualidade. Como vou explicar as letrinhas, sugiro você ver este vídeo da Nataly Neri sobre pansexualidade e panromantismo!


Transexualidade (T)



A transexualidade, na verdade, está mais próxima da discussão do gênero. Porém, além de vivermos num mundo binário, o famoso “pão pão, queijo queijo”, também vivemos em um mundo que resume as coisas em sexo, desejo e libido.

A transexualidade era considerada até pouco tempo atrás uma doença. E foi com muita luta que a comunidade trans conseguiu ser retirada desse lugar de “problema mental”, para um lugar de respeito.


Ser trans é não condizer com seguir a cisgeneridade. Cisgênero é a pessoa que se identifica com o órgão que nasceu e o gênero atribuído a ele. Então, eu sou uma mulher cis porque nasci com uma vagina e me identifico com o gênero feminino. A pessoa trans nasceu com o órgão, mas não se identifica com a construção social desse órgão, ou seja, com o gênero.


Por isso mulheres trans, são mulheres que podem ter pênis. E homens trans, são homens que podem ter seios e vaginas.


Ufa, muita informação né? Então respira, porque tem mais!


Não apenas mulher trans ou homem trans fazem parte da letrinha T, mas pessoas travestis, não-bináries, gênero fluído, e tantas outras performances de gênero e sexualidade que a humanidade consegue ter!

Para você aprofundar essa discussão, recomendo começar a seguir a Erica Malunguinho e a Erika Hilton, duas políticas que marcaram história em São Paulo e no Brasil! Além disso, temos o Jonas Maria, namorado da Nataly Neri, que também explica bem sobre.

Queer (Q)



Queer é um nome gringo usado para todas as pessoas não heterossexuais ou heterocisnormativas, lá nos Estados Unidos. Aqui a gente fala “ as pessoas LGBTQIA+ são etc etc”, por lá eles condensam tudo em “ as pessoas queer”, o que torna um teco mais fácil né? Mas, nem sempre facilidade consegue preencher a demanda da representatividade.


Antes, ser chamado de queer era uma ofensa, porém hoje é uma palavra de força e retomada, usada aqui no Brasil pela comunidade que não se identifica com a cisgeneridade e heterossexualidade.

Interssexualidade (I)



A comunidade intersexual na sopa de letrinhas, pertence a pessoas que não nascem com características biológicas típicas do sexo feminino e masculino. São pessoas consideradas pela medicina como “hermafroditas”. Um exemplo clássico são mulheres que não menstruam!


Pessoas intersexuais mostram como nossas diferenças são além de sociais, biológicas! Por não nascer com características típicas de algum sexo, essa comunidade tem uma história muito profunda em se reinventar. Aqui tem uma entrevista que conta a vida de uma menina que descobriu sua intersexualidade a partir de um câncer, vale muito a pena ler!

Assexual (A)



Pessoas assexuais são aquelas que não sentem atração sexual pelos seus parceiros ou parceiras. Mas, isso não significa que não há desejo, né? A gente constrói na nossa cabeça que desejo é apenas a libido, o tesão, a paixão avassaladora e carnal. Só que esta comunidade veios mostrar que desejar alguém pode ter outras nuances, outros aspectos, que não o ato sexual. A pessoa assexual é capaz, sim, de se envolver emocionalmente, criar intimidade, mas não necessariamente transar com a pessoa que ama.


Aqui tem um artigo bem legal e completinho sobre assexualidade. Lembrando que não se vira assexual, assim como não se vira lésbica, se nasce assim! Ficar um tempo sem transar não te faz assexual, beleza?


Lugares em SP que são referência LGBTQIA+


Vou começar pelo meu favorito: Aparelha Luzia. Gestada e criada por Erica Malunguinho, mulher trans deputada, arte educadora e pensadora do movimento negro, Aparelha Luzia foi inaugurada em 2016, com objetivo de se tornar um quilombo urbano em SP, que não apenas acolhe, mas promove debates sobre raça, gênero, sexualidade e território.

Fica na rua Apa, n° 78 – Campos Elíseos, Sâo Paulo.


A Casa 01 também é um lugar mega importante para a comunidade LGBTQIA+ em São Paulo. Além de ser um abrigo para as pessoas expulsas de casa, a Casa 01 promove debates, encontros e lives que discutem as principais questões da comunidade. Foi criada em 2015, quando Iran Giusti, resolveu abrir as portas do seu apartamento para pessoas que estavam sem moradia por serem LGBTQIA+, mas logo percebeu que a demanda era alta! Hoje, a Casa 01 vive de eventos e doações, você pode acessar clicando aqui.


Batalha Dominação, da minha amiga de vida Gabi Nyarai e Ingrid Martins, é a primeira batalha de rima voltada para mulheres cisgêneres, trans, pessoas não binárias e homens trans. A Batalha acontece no largo São Bento, um espaço muito importante para o movimento hip-hop de São Paulo. Além disso, a ocupação desses corpos que não seguem uma normal, faz com que o centro ganhe outras caras e cores. A Dominação é uma batalha de conhecimento e freestyle, e traz para a cena as novas vozes de uma geração!

Você pode acompanhar a Dominação de forma online, através do instagram! Em breve vai ter um texto completinho sobre esse rolê <3


Ah, e você sempre pode me escrever, viu? Quero muito saber o que você sentiu ao ler meu texto! Meu e-mail: omiobinrin@gmail.com