Como todas as grandes metrópoles do mundo, o centro de São Paulo sofreu muita influência de diversos estilos da arquitetura em suas construções ao longo dos séculos.  

Dos grandes casarões coloniais às construções de estilo futurista contemporâneo, a cidade passou por muitas mudanças sob o impacto do que era considerado o estilo do momento.  

Alguns desses foram o estilo eclético - que surgiu na virada do século XIX para o XX – e o art déco.  

Ambos os estilos surgiram na Europa, chegaram ao Brasil pouco depois e ficaram marcados nas construções principalmente do Centro da cidade de São Paulo.  

Vamos conhecer um pouco mais sobre a origem de cada um e suas características nas construções paulistanas? 

Estilo eclético ou ecletismo 

Em um período de intensa mudança cultural, industrial e econômica, a Europa e os Estados Unidos estavam ampliando também seus conceitos. Mas também as possibilidades arquitetônicas no fim do século XIX e início do século XX.  

Isso porque, nesse período, sob impacto das revoluções industriais ocorridas desde o início do século XVIII, a tecnologia para a realização de diversos trabalhos se desenvolveu muito.  

Neste período, os estilos arquitetônicos eram mais simples e produzidos com menos materiais. 

Foi com a revolução industrial e a possibilidade maior de extração, importação e produção de diversos produtos com matérias primas variadas, que surgiu um estilo que tinha muitas novas possibilidades, mas com influências ainda antigas.  

A arquitetura eclética veio como uma forma de abraçar o que havia considerado de melhor dos estilos anteriores. Como o medieval, clássico, barroco, renascentista, gótico e neoclássico, por exemplo, mas com a introdução de novos elementos.  

Isso porque nesse período materiais como vidro, bronze, aço e ferro forjado, que eram bem pouco utilizados e caros de se obter anteriormente, passaram a ser mais acessíveis a mais pessoas.  

Na prática, isso significou o surgimento de construções com forte característica clássica ou barroca, por exemplo, mas com elementos bastante novos para a época.  

Como esculturas em bronze, construções com ferro aparente, estruturas de teto melhor produzidas, trabalhos em vidro com mais detalhes, vitrais trabalhados...  

Outras características desse período eram a mistura de pelo menos dois estilos diferentes, presença de ferro nas construções, um início maior da preocupação com o design do interior das obras, luxo e grandiosidade nos projetos, simetria e precisão nas construções.  

Estilo eclético na arquitetura do Brasil e no centro de São Paulo

O Brasil, embora no início da revolução industrial ainda estivesse sob domínio português, logo no início do século XIX também adotou o estilo eclético sob influência de imigrantes.  

Um dos grandes exemplos deste estilo na capital paulista é a obra do Theatro Municipal de São Paulo. Fundado em 1903, com o ecletismo em voga, conforme informações do próprio espaço, os idealizadores do teatro misturavam o estilo do renascentismo com o barroco e o art noveau.  

A Estação da Luz, com suas estruturas em ferro aparente bem trabalhado, inaugurada em 1901, é outro bom exemplo deste estilo na capital. Ela possui influências, conforme estudiosos, de estilo renascentista e clássico, mas com o toque “ostentatório” e detalhista do ecletismo da época.  

Há ainda o Palácio das Indústrias, o Mercado Municipal de São Paulo, o Museu Paulista, a Escola Normal Caetano de Campos, a Casa das Rosas, o Edifício Martinelli e a Residência de Michel Assad com características ecléticas.  

Contudo, é possível perceber o estilo em diversas  construções do Centro, observando os detalhes da construção, como a estrutura clássica de algumas obras com a presença de elementos como esculturas e vitrais bastante trabalhados. 

Estilo art déco 

Na transição após a forte presença do estilo eclético na Europa, na década de 1920 o estilo Art Déco chegou com força. O marco aconteceu em 1925, em Paris, na França, durante o evento da Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas.  

O nome art déco, aliás, é uma abreviação do francês “artes decorativas”. Pois, o estilo não ficou restrito à arquitetura, mas indicava todo o trabalho artístico e decorativo na moda, design, joalheria e móveis, por exemplo.  

No início, o estilo era extremamente luxuoso e utilizava joias preciosas e prata em seus variados elementos decorativos. Depois, com a industrialização da produção de peças, passou a utilizar outros materiais menos nobres e tornou-se acessível a mais pessoas.  

Algumas características bastante presentes são a luxuosidade dos projetos, design abstrato, simetria nas construções, uso de muitas formas geométricas em linhas retas ou circulares, emprego de materiais como aço, alumínio, marfim e laca, cores fortes e brilhantes...  

Estilo art déco na arquitetura do Brasil e no centro de São Paulo

Foi na década de 1930 que o estilo chegou com força ao Brasil, embora já tivesse apresentado suas primeiras aparições ainda na década de 1920.  

Um dos exemplos de obras do período na cidade de São Paulo é o Monumento às Bandeiras, de 1953. Há ainda o Viaduto do Chá, que foi construído ainda no século XIX. Mas na década de 1930 foi totalmente reformulado no estilo art déco, como forma de ganhar “a cara” da época. 

Outro exemplo é o estádio do Pacaembu. Inaugurado em 1940, o estádio possui a fachada com suas letras grandes e espaçadas e as colunas e formas geométricas bem características do período.  

O edifício do antigo Banco de São Paulo é outro prédio feito no estilo art déco e considerado uma “obra prima” por muitos arquitetos. Sendo um dos melhores exemplos do estilo no país. 

Na fachada, linhas retas e verticais e padrões em leque. No interior, o prédio possui portais em mármore, granito e granilite, o mosaico romano grés, serralheria artística de ferro e bronze, os lustres em alabastro e cristais. 

Não à toa, o prédio já apareceu em várias cenas de filmes e comerciais de televisão. Uma verdadeira “estrela”. 

Estes são aspectos bem comuns de serem encontrados em diversos prédios paulistanos, em especial no Centro Histórico da cidade. Muitos deles tombados por suas características arquitetônicas únicas do art deco.  

Os prédios neste estilo são mais facilmente encontrados em Higienópolis, na Vila Buarque e Santa Cecília, mas podem ser vistos por toda a cidade. 

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