Em julho de 2021, uma lei de revitalização de prédios antigos do Centro de São Paulo sancionou-se pela Prefeitura da cidade, com o objetivo de adensar a região, transformando construções antigas e abandonadas em áreas habitacionais e revitalizadas.  

Mas o que tudo isso tem a ver com retrofit?  

Bom, retrofit é exatamente a pauta disso que  falamos e o assunto que trata a lei 17.577/2021. É uma estratégia para recuperar, restaurar e revitalizar prédios antigos.  

O nome vem do inglês, “fit” e significa colocar em forma, digamos assim – o retrô. Então o retrofit, de forma literal, seria algo como retomar a boa forma dos prédios antigos, atualizar o antigo.  

Bom, o termo ganhou popularidade na internet depois da sanção da lei, mas a prática do retrofit e o uso do nome já são usados há muitos anos.  

Na verdade, a revitalização de prédios antigos acontece há vários séculos, mas a forma como essa revitalização está sendo pensada atualmente tem características bastante atuais.  

Ela pretende melhorar principalmente a vivência das pessoas nas grandes cidades, reduzir custos e conservar o patrimônio histórico e arquitetônico.  

Atualização e redução de custos  através do Retrofit

A prática não se trata apenas de restaurar fachadas, pintar paredes e renovar portas e janelas. O retrofit de um prédio demanda todo um novo projeto para aquela construção.  

Muitas vezes, há o abandono de prédio e ele chega ao fim da sua vida útil não apenas porque está “feio”, mas porque o projeto elétrico e hidráulico e parte de sua estrutura não atendem mais aos padrões necessários para continuar habitado ou servindo como espaço comercial.  

Por isso, o retrofit é uma modernização completa do prédio e não apenas uma simples reforma.  

Em muitas situações, é necessária uma readequação completa dos sistemas de ar-condicionado, de fornecimento de água, gás e energia.  

Não apenas para se adequar aos padrões modernos de abastecimento, mas também para garantir redução de custos.  

Para se ter uma ideia, o Departamento Nacional de Empresas Projetistas e Consultores (DNPC) da Associação Brasileira de Refrigeração, ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) estima que uma atualização dos projetos de um prédio antigo pode gerar uma economia de até 40% no gasto de energia.   

Principalmente porque o gasto com ar-condicionado e manutenção do conforto térmico, de forma geral, pode chegar a 50% do valor total do gasto com energia elétrica em um imóvel.  

Isso porque muitos projetos antigos ainda não levavam em conta alguns padrões, técnicas e tecnologias que atualmente tornam a vida muito mais prática - e com custos reduzidos.  

Acessibilidade a todos  

Outra questão de extrema importância para o retrofit de um prédio é torná-lo totalmente acessível a todas as pessoas.  

Não havia preocupação, em prédios antigos, com a necessidade de se adaptar a pessoas em cadeiras de rodas, cegas ou surdas, por exemplo.  

Com o retrofit, o prédio pode passar por uma renovação completa, tornando-se inclusivo a todos os habitantes de uma cidade.  

Conservação do patrimônio  através do Retrofit

Outra questão importante a considerar com o retrofit é garantir a preservação do patrimônio de uma cidade.  

Por vezes, derrubar um prédio para construir outro em seu lugar poderia ser uma alternativa muito mais barata.  

Contudo, um projeto bem feito pode unir baixos orçamentos e manutenção do patrimônio cultural, histórico e arquitetônico de uma cidade.  

Além disso, é inegável que um prédio antigo, já bem localizado, totalmente recuperado passa a ter uma incrível valorização, do que simplesmente a construção de um novo.  

Há ainda o enorme ponto positivo da sustentabilidade nessa questão, já que muitos materiais e estruturas são quase completamente aproveitadas.  

Ocupação do Centro e qualidade de vida à população  

Em São Paulo, o incentivo ao retrofit tem como objetivo ocupar o Centro da cidade, que segundo a prefeitura já vinha sofrendo um esvaziamento nos últimos anos, agravado pela pandemia do Coronavírus.  

Diversos prédios, ocupados apenas com estabelecimentos comerciais, foram deixados às moscas depois que muitos empreendimentos “quebraram”.  

Agora, o objetivo é ocupar as construções com moradias, destinando apenas térreo ao comércio. A via de mão dupla - serviços e produtos próximos das pessoas e consumidores próximos dos empreendimentos - está atraindo investimentos.  

Como forma de incentivar o retrofit dos prédios, a prefeitura lançou o programa Requalifica Centro, que prevê projetos e benefícios fiscais aos empreendedores que resolveram “atualizar” prédios antigos da capital paulista.  

Eles deverão renovar os prédios deixando prontos apartamentos no ponto de serem ocupados por moradores.  

‘Retrofitados’ em São Paulo 

Edifício Lutetia

Mas não é porque a lei sancionou-se agora que o retrofit na cidade ainda vai começar. Sabia que muitos prédios já passaram pelo processo em São Paulo? 

Em maio de 2020, cerca de 40 prédios já tinham passado ou estavam passando pelo retrofit.  

O Jacques Pilon Residence foi um desses prédios que foi totalmente reformado. Localizado no Centro Histórico de São Paulo e construído na década de 1940, hoje conta com apartamentos de 20 a 40 metros quadrados distribuídos em seis andares.  

O Edifício Lutetia, construído em 1920 e reformado em 2004, ganhou toda a estrutura nova, com projetos elétricos e hidráulicos totalmente reformulados.  

O edifício Verde Cambuci também passou pelo retrofit e hoje abriga apartamentos de até 160 metros quadrados com um grande espaço comercial no térreo.  

Coliving  

Inclusive, em vários desses prédios, a empresa que faz o retrofit já equipa, mobília e deixa o apartamento completo para o morador. Ou moradores.  

Com a excelente localização dos imóveis, procura não deve faltar e os jovens em início de carreira são os que mais buscam e se beneficiam desse tipo de moradia.  

Para dividir aluguel e outras despesas, jovens em início de carreira por vezes preferem optar pelo coliving - moradia compartilhada. Às vezes a própria empresa que montou o apartamento já faz a entrega para mais de um morador. Que nem sempre se conhecem.  

Por vezes, os apartamentos são pequenos, mas atendem às necessidades de quem muitas vezes passa a maior parte do dia fora de casa e tem a poucos passos do prédio onde mora acesso a todos os tipos de serviços e produtos. 

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